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Blockchain: como funciona, que problemas ele resolve e como pode ser usado

por Roberto Campos 30/08/2021

Como o próprio nome diz em inglês, um blockchain é uma corrente de blocos em tradução livre.

Criada lá em 1991, a ideia inicial era a de registrar, de uma forma digital e segura, documentos virtuais para que fosse impossível de ser alterado sem quebrar a segurança do código digital.

Assim, a ideia consistia em criar um cartório digital seguro em que documentos pudessem ser registrados e garantir sua autenticidade.

Porém, esse sistema ficou sem uso na economia real até 2009, quando um cidadão chamado Satoshi Nakamoto (até hoje não se conhece no mundo real essa pessoa, já que nunca apareceu) criou o Bitcoin.

 

Características

Um blockchain é um “distributed ledger”, que em tradução livre significa algo como: um banco de dados distribuído.

Compartilhado e sincronizado por muitos pontos diferentes na internet, sites, instituições e relativamente acessível, permite a muitas pessoas terem uma cópia desse banco de dados.

Isso faz com que cada um desses pontos seja uma espécie de testemunha de que aquele evento registrado de fato ocorreu.

Todos os participantes dessa “corrente” (chain) conseguem ver todos os “blocos” (block), e cada um desses blocos não pode ser alterado sem modificar os outros blocos da corrente.

Ou seja, todos podem ver, mas ninguém pode alterar os dados dentro dos blocos.

Além disso, a cada novo bloco adicionado na corrente, todos esses participantes recebem uma atualização para incluir o novo bloco, e aí ele é conferido para ver se combina com a sequência correta.

A propósito, a principal característica do blockchain é exatamente essa distribuição, essa grande quantidade de testemunhas que impede qualquer bloco da corrente ser alterado.

Isso é muito oposto a uma “centralized ledger”, como um banco, em que os dados de todos os clientes estão centralizados em uma única instituição – um único local.

Esse cenário faz de um blockchain mais seguro do que o banco de dados do seu banco.

Mas isso apenas até o momento em que o seu banco passar a utilizar blockchain para controlar suas operações – sim, isso é possível.

Resumindo essas características todas do blockchain, fica assim:

  • Sistema digital que utiliza um “distributed ledger”;
  • Sincronizado e acessível em diferentes plataformas e locais por múltiplos participantes do sistema simultaneamente;
  • Sem uma autoridade central para controlar, em que todos checam a integridade desse banco de dados uns com os outros de tempos em tempos;
  • Maior segurança e criação de base para diversos sistemas com segurança de alta complexidade.

 

A criptografia e segurança no blockchain

A base de tudo o que falamos até agora sobre essa tecnologia é uma forma de criptografia.

O que é mesmo que dizer: um blockchain é tão seguro quanto a tecnologia da criptografia utilizada na sua criação.

Por isso, para um blockchain ser violado e comprometido na sua integridade, um hacker tem que atacar todos os pontos.

Ou atacar pelo menos muitos pontos simultaneamente e alterar o conteúdo da cadeia de blocos para “casar” com um bloco falso que ele quer cadastrar nessa cadeia de blocos.

Daí a criptografia!

Isso porque sem uma chave criptográfica para acessar os dados, enquanto um hacker tenta quebrar essa chave, outros blocos já foram incluídos na cadeia e as chaves já foram alteradas.

Lembra?

A cada novo bloco incluído no blockchain, o código para incluir um novo bloco é criado.

Para fazer dessa segurança ainda mais difícil de ser quebrada, cada bloco possui 3 componentes importantes:

  1. Os dados que se quer guardar;
  2. A chave de segurança (hash) do bloco que se está criando;
  3. A chave de segurança (hash) do bloco anterior.

Dessa forma, quando se criptografa o bloco atual, a chave do bloco anterior faz parte do código atual e isso dificulta, impossibilitando a alteração do conteúdo do bloco.

Pode se relacionar uma chave de segurança (hash) a uma impressão digital, um código único, que somente esse bloco possui e não deve existir outro igual no blockchain.

Isso deve ser parte da implementação do sistema de criptografia do blockchain, garantindo a integridade do sistema.

Por meio desse hash, cada bloco específico pode ser encontrado na cadeia e conferido para que todos possam autenticar os dados contidos no bloco analisado.

Se alguém alterar o conteúdo de um bloco, o hash não vai ser validado e qualquer um que confira a informação saberá que esse conteúdo foi violado.

Só que existe mais de um blockchain e cada um possui características próprias, podendo ser diferentes para cada utilização.

O blockchain do Bitcoin, por exemplo, possui os dados da pessoa que está alienando (deixando de ser dona ou vendendo) o Bitcoin, a que está adquirindo e o valor da transação.

Caso um bloco seja rejeitado (não confere), ele é automaticamente descartado pela rede.

Para alguém criar um bloco falso (não tem validade), essa entidade (ou hacker) tem que assumir o controle de mais de 50% da rede toda, o que teoricamente é impossível de se conseguir.

Por isso, dizemos que um blockchain é extremamente seguro.

 

Aplicações de um blockchain

Com ele, pode se:

  • Criar contratos inteligentes, com um programa que cria contratos dentro de determinadas regras e com segurança;
  • Guardar dados médicos de todas as pessoas em um sistema;
  • Criar cartórios digitais, possibilitando governos a cobrar, utilizando blockchain, impostos e manter registros seguros de toda a população do país.

Enfim… suas aplicações são infinitas e muitas delas nem sequer ainda foram inventadas.

Porém, estamos evoluindo rapidamente e logo veremos mais e mais aplicações digitais que utilizarão blockchain para facilitar o ritmo do dia a dia.

Espero que você tenha aprendido e entendido como o blockchain funciona, mas se tiver alguma dúvida ou comentário, deixe suas perguntas para a gente nas nossas mídias sociais, que responderemos.

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Roberto Campos

Professor de Tributação de Investimentos Especialista em Imposto de Renda Pessoa Física, Contador com mais de 20 anos de experiência em Tributação de Pessoas Físicas e Pequenas Empresas.

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