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CRI e CRA: o que são e como operam

por Redação Xpeed 02/07/2021

O que você sabe sobre os investimentos CRI e CRA?

Talvez os conheça pela característica que esses papéis possuem e chamam mais atenção: ser isento de Imposto de Renda.

Sabendo pouco ou sabendo muito a respeito deles, fato é que estão ganhando cada vez mais adeptos no mercado financeiro.

Pensando em tudo isso, a Xpeed chega para comentar os principais aspectos desses investimentos.

 

O que são CRI e CRA

Os CRI (Certificado de Recebíveis Mobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) são papéis de renda fixa distintos, mas com características em comum.

De forma resumida, esses certificados de recebíveis são emitidos por empresas privadas – as tais securitizadoras – e são lastreadas em operações de crédito ligadas aos setores imobiliário e do agronegócio.

Para que entenda melhor, pense em uma construtora que decide erguer um edifício, vende as unidades e os compradores financiam seus apartamentos na planta.

Essa empresa só receberá o pagamento total ao longo de alguns anos, conforme os clientes pagam todas as parcelas devidas – mas ela precisa de dinheiro o quanto antes para tocar suas operações.

Então, o que essa construtora faz?

Vai atrás de uma companhia securitizadora, que vai transformar essas vendas a prazo em títulos negociáveis no mercado: os CRIs.

Essa é plenamente uma forma de captar dinheiro, com esses títulos – os CRIs – nada mais sendo que pedações da dívida que podem ser comprados por investidores.

Isso significa que esses investidores que compram o CRI estão ajudando a financiar o imóvel ao antecipar o valor que será recebido mais para frente – e são remunerados ao longo do tempo conforme os recebíveis forem quitados.

Agora ficou mais muito fácil definir o que são os CRAs, já que, nesse sentido, há uma lógica em comum; a diferença é que a origem tem a ver com projetos do agronegócio nesse caso.

Dentro de um CRI ou um CRA podem ser encontrados:

  • Recebíveis de valores diferentes;
  • Prazos distintos;
  • Remunerações específicas.

O que a securitização faz é justamente uniformizar essa cesta em um papel com taxas e riscos determinados e um fluxo de pagamentos definido.

 

CRI e CRA: como funcionam

Em suma, os CRIs e CRAs se parecem com outros investimentos de renda fixa, já que compram-se os papéis e, em troca de manter os recursos aplicados, recebe-se uma remuneração (juros).

Porém, existem especificidades que devem ser consideradas antes de realizar a aplicação.

 

Rentabilidade

Por serem papéis de renda fixa, a remuneração que os certificados de recebíveis oferecem aos investidores segue um modelo semelhante ao de outros investimentos da categoria, com:

  • Remuneração prefixada:o investidor já sabe desde o momento em que compra o certificado o valor da taxa de juros que receberá ao longo do tempo;
  • Remuneração pós-fixada:ao contrário da primeira, nessa o investidor sabe o indicador que servirá de referência para a remuneração desde o início – CDI (principal índice de rentabilidade da renda fixa) ou Selic (taxa básica de juros da economia brasileira), por exemplo. No entanto, o retorno efetivo da aplicação é desconhecido, pois segue as variações do indicador;
  • Remuneração atrelada à inflação:os certificados desse tipo têm uma parcela prefixada e outra pós-fixada de rentabilidade. A parcela prefixada assegura uma taxa de juros mínima e a pós-fixada é a variação da inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado).

De toda forma, com uma remuneração normalmente maior do que a dos títulos públicos, ambos podem ser ótimas alternativas de investimento.

 

Liquidez

Aqui, ao contrário de outros papéis de renda fixa, o nível de dificuldade para resgatar o dinheiro – liquidez – é maior, então precisa ser levado em conta pelo investidor.

Isso porque, de modo geral, CRIs e CRAs são considerados produtos de baixa liquidez, uma vez que são investimentos com vencimento de longo prazo, de ao menos 2 anos, mas podendo alcançar mais de 15 anos.

Isso acontece por conta de os empreendimentos que dão origem aos papéis serem realmente de longo prazo, afinal, a construção de um edifício dificilmente se conclui em apenas um ano, por exemplo.

Tendo isso em vista, para receber a remuneração acordada na época da emissão, o investidor deve manter a aplicação durante esse período inteiro.

Para quem não tem certeza de que pode manter os investimentos até o vencimento, eles podem ser uma opção ruim.

 

Riscos e garantias

Nos CRIs e CRAs, quando os papéis são emitidos dentro do chamado “regime fiduciário”, o investidor não corre o risco da companhia securitizadora – que é apenas um veículo da emissão.

O risco a que a pessoa investidora fica exposta é exatamente o das operações incluídas nos certificados.

Isto é, ela depende da capacidade de pagamento da empresa que tomou o financiamento – como uma construtora ou fazenda.

A vantagem, porém, é que na prática o risco dos certificados é segregado do risco da securitizadora.

Dessa forma, se ela tiver dificuldades financeiras, o fluxo de pagamento para os investidores não será afetado, porque os recebíveis estão formalmente separados do patrimônio da securitizadora.

Agora, outra desvantagem fica por conta de que CRIs e CRAs não são cobertos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

 

Tributação e taxas

Um dos principais atrativos dos certificados de recebíveis é a isenção de Imposto de Renda e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Assim, é preciso descontar mais nada da rentabilidade oferecida aos investidores – já é líquida.

Além disso, costuma-se não haver cobrança de taxa de administração sobre certificados de crédito.

Muitas corretoras isentam os investidores de taxa de corretagem ou de custódia, embora ainda existam algumas que podem cobrar por esse tipo de serviço.

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